dijous, 30 d’abril de 2009

Imigrante

Ontem à tarde, passeando pela cidade de Valência meu companheiro e eu, dois caras "de paisano" tiraram do bolso duas plaquinhas de polícia e pediram-nos a documentação. Ficamos supreendidos. Era mesmo um filme de Hollywood. Eu não acreditava, e o primeiro que pensei foi que quando tirasse minha carteira, eles roubavam-me e iam embora.


Olharam nossas caras de lerdos e repetiram: documentação! Falavam a sério. Talvez escutaram-nos falar português, talvez foi por acaso. Eu até perguntei a um dos policiais senão estavam de brincadeira. Respondeu muito sério que não. Nós demos o DNI e o NIE (bilhete de identidade provisional e para estrangeiros), comprovaram por telefone que éramos bons cidadãos e sem antecedentes, e continuamos o passeio entre risos e lembrando do que tinha acontecido.

O pior é que muitos outros não tiveram tanta sorte, com certeza. O Ministério do Interior vai à caça de imigrantres em situação irregular. Agora que chegou a crise e o desemprego subiu tanto, por enquanto, muitos já não são bem-vindos. Meter-se na pele de um "imigrante" na conjuntura actual é começar a tremer.

Fui à cama com um imigrante. E, sentindo-me mais um imigrante nesta terra tão minha e tão alheia, adormeci.

dimecres, 29 d’abril de 2009

Planos para o futuro...

...não fazer planos.

Greve/Vaga

O meu país, as vezes e só as vezes, parece o meu país.

dimarts, 28 d’abril de 2009

Caminho de Santiago


Há uma semana que cheguei de fazer o caminho de Santiago. Já houve tempo de descansar o corpo e a alma, e de pensar. Viver é caminhar, só isso. Alguns percursos, acompanhado; noutros, completamente só. É achar pessoas e perdê-las no caminho. Partilhar uns sorrisos e cantarolar alguma canção. É mesmo caminhar sob uma trovoada como esquentar o corpo ao sol. Também a coragem para chegar à meta e a fraqueza de crer não chegar. E passar por todos os estados de ánimo possíveis.

Numa descida muito bela, deixando atrás a neve de Foncebadón, o meu companheiro de viagem falou: Há coisa mais grande que andar entre as montanhas? Pois é. Não há nada. Acabábamos de atravessar as núvens (as núvens!), e olhando os enormes vales desde a ladeira, contemplámos uns raios de sol desenhando uma paisagem simples, espectacular. E nós ali, mesmo Deuses.

Eu quero é caminhar...

divendres, 24 d’abril de 2009

Estou de volta



Cal que neixin flors a cada instant.

Composició: Lluís Llach.

Fe no és esperar,
fe no és somniar.
Fe és penosa lluita per l'avui i pel demà.
Fe és un cop de falç,
fe és donar la mà.
La fe no és viure d'un record passat.

No esperem el blat
sense haver sembrat,
no esperem que l'arbre doni fruits sense podar-lo;
l'hem de treballar,
l'hem d'anar a regar,
encara que l'ossada ens faci mal.

No somnien passats
que el vent s'ha emportat.
Una flor d'avui es marceix just a l'endemà.
Cal que neixin flors a cada instant.

Fe no és esperar...

Enterrem la nit,
enterrem la por.
Apartem els núvols que ens amaguen la claror.
Hem de veure-hi clar,
el camí és llarg
i ja no tenim temps d'equivocar-nos.

Cal anar endavant
sense perdre el pas.
Cal regar la terra amb la suor del dur treball.
Cal que neixin flors a cada instant.